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quarta-feira, 4 de novembro de 2009


Não sei como dizer-te que a minha voz te procura

Não sei como dizer-te que a minha voz te procura e a atenção começa a florir, quando sucede a noite esplêndida e casta.

Não sei o que quer dizer, quando longamente teus pulsos se enchem de um brilho precioso e estremeces como um pensamento chegado. quando, iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado pelo pressentir de um tempo distante, e na terra crescida os homens entoam a vindima - eu não sei como dizer-te que cem ideias, dentro de mim, te procuram. Quando as folhas de melancolia arrefecem com astros ao lado do espaço e o coração é uma semente inventada em seu ascético escuro e em turbilhão de um dia, tu arrebatas os caminhos da minha solidão como se toda a minha cara ardesse pousada na noite.- E então não sei o que dizer junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio. Quando as crianças acordam nas luas espantadas que às vezes se despenham no meio do tempo - não sei como dizer-te que a pureza, dentro de mim, te procura. Durante a primavera inteira aprendo os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto correr do espaço e penso que vou dizer algo cheio de razão, mas quando a sombra cai da curva sôfrega dos meus lábios, sinto que me falta um girassol, uma pedra, uma ave qualquer coisa extraordinária. Porque não sei como dizer-te sem milagres que dentro de mim é o sol, o fruto, a criança, a água, o leite, a mãe, o amor, que te procuram.

"Porque o poema devora a mão que o escreve, com monstruoso amor."