Agora sei que és um camaleão. Que te esbates na paisagem para que ninguém te veja e que a tua dor está apenas no contorno da dor dos outros. Não tens pudor em mostrar a crueza de uma lágrima, a enormidade de se estar sentado nu contra uma parede ou apenas um pormenos de uma flor, uma coisa que não teria importância e que tu fotografas como se fosse a essência da vida.
Como te perdeste algures, vives dos outros. Calculo que não te vejas ao espelho porque se te visses terias medo e fugirias ainda mais.
(...) Em silêncio fugiste porta fora.
(...) Aqui também se cultiva o silêncio. Como tu fazes.
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