
Onde é que pões as coisas todas que lês?- perguntas-me após o aguaceiro enquanto o céu se acende com relâmpagos tardios. Azul cobalto com cinza. Eu estou sentado à hindu e espreito lá do divã. Onde é que as ponho? Umas acabam nos escombros vem o camião na última sexta de cada mês e leva os tapetes falsos os cadeirões rachados, os brinquedos coxos. Umas prendem-se nos fios, outras leva-as o vento e enterra-as na areia. Ficam as coisas que não deixam em paz as coisas que cortam, que magoam as que escavam galerias as coisas que gorjeiam e reluzem as coisas vivas . as coisas.
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