
"Cultivavas o vício da paixão com um método implacável. Corrias em contra-relógio. Procuravas a imobilidade de um tempo-pedra que já era o teu.
... Nos breves dias em que vivias desapaixonada, tornava-te impossível. Nada te entusiasmava.
Há palavras assim, que se dizem como calmantes. Palavras usadas em série para nos impedir de pensar.
Há palavras assim, que se dizem como calmantes. Palavras usadas em série para nos impedir de pensar.
O que existia entre nós, é uma ciência do desaparecimento. Comecei a desaparecer no dia em que os meus olhos se afundaram nos teus. Agora que os teus olhos se fecharam sei que não voltarás a devolver-me os meus.
Cair em ti, cada vez mais longe da mísera ficção de mim.
Passei a vida inteira a querer interpretar-te – oh! Delicioso desperdício! – e nem sequer era por amor.
Eu era sempre o que parecia, tu ias sendo tudo o que parecias. Creio que por isso fomos ta íntimos – e por isso nos afastamos tanto.
Toda? Falta-me alguém que não és tu.
Há tantas coisas que nunca te disse – e dizias tu que eu falava demais. ... Em vida, sussurrava: não te perdoo o que não soubeste saber de mim. Este noante revela-me a verdade invingada: não me perdoo o que não soube verter-te de mim.
Eu pensava que queria mudar o mundo, eu pensava que tu apenas querias mudar de cenário. Eu pensava que pensava – por isso descobria tão pouco do impensável de nós.
... e aprendendo demasiado tarde o que não fui capaz de ver.
Julgava possuir todas as chaves do sofrimento. Chamavas-me presunçosa, talvez tivesses razão. Não há entendimento para o sofrimento do outro. "
Cair em ti, cada vez mais longe da mísera ficção de mim.
Passei a vida inteira a querer interpretar-te – oh! Delicioso desperdício! – e nem sequer era por amor.
Eu era sempre o que parecia, tu ias sendo tudo o que parecias. Creio que por isso fomos ta íntimos – e por isso nos afastamos tanto.
Toda? Falta-me alguém que não és tu.
Há tantas coisas que nunca te disse – e dizias tu que eu falava demais. ... Em vida, sussurrava: não te perdoo o que não soubeste saber de mim. Este noante revela-me a verdade invingada: não me perdoo o que não soube verter-te de mim.
Eu pensava que queria mudar o mundo, eu pensava que tu apenas querias mudar de cenário. Eu pensava que pensava – por isso descobria tão pouco do impensável de nós.
... e aprendendo demasiado tarde o que não fui capaz de ver.
Julgava possuir todas as chaves do sofrimento. Chamavas-me presunçosa, talvez tivesses razão. Não há entendimento para o sofrimento do outro. "
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