quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011


Caminhante, passou por mim em passos lentos
com uma blusa que jamais o vi usar e um cavanhaque.


Ele que tinha o rosto imberbe e cujas blusas eu lavava todas
cruzou por mim na calçada e me olhou com olhos novos
da mesma cor de antes mas eram olhos outros
que viram virgindades durante o nosso tempo apartado.


Era ele mas era outro, e eu era eu mesma, e outra
e a distância entre nós era bem mais longa que aqueles passos curtos
e o tempo entre nós era infinito no nosso desconhecimento mútuo.


Ele que tanto amei e ele a mim, que trocamos beijos mais que íntimos
suas cicatrizes pelo corpo que lambi, e ele aos meus seios,
ele que não me foi secreto por anos e eu por ele igualmente traduzida.


Caminhante, hoje passou por mim como se não houvesse passado.
Ele, em passos lentos, fez um sinal educado com a cabeça
eu, com meio-sorriso, fiz que não tinha importância!...

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