"Não há desejos intransitivos - mas há desejos equivocados, perdidos, extraviados, desejos que nos atravessam sem nos tocarem. Fui desejada sem o saber - soube-o sempre depois - por homens que até poderia ter desejado, se o soubesse antes. Pensava noutras coisas. Os homens veem o desejo como as mulheres veem a culpa - como uma coisa com braços e pernas e rosto e olhos, imediata. Um irmão gêmeo. Se nos distraímos desse gêmeo, o homem distrai-se de nós. Arquiva-nos: indesejante, indesejável. Talvez uma mulher que se sinta indesejável acabe por se tornar indesejante, sim."
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