
A última terça-feira…
dizemos adeus- não estou lá muito bem hoje.
Amanhã será melhor.
Deixou sair outra expiração e forçou um aceno.
Estava a lutar contra alguma coisa debaixo dos lençóis, e aí reparei que estava a tentar mover a mão para uma abertura.
- segura… - disse ele.
Puxei o cobertor e segurei-lhe os dedos.
Desapareceram dentro dos meus.
Inclinei-me para ele, apenas a alguns centímetros da sua cara…
Morrie, disse eu suavemente.
- Treinador – corrigiu ele.
Treinador, disse eu.
Senti um arrepio.
Ele falava por erupções curtas, inalando ar, exalando palavras.
A sua voz era fina e arranhada.
- Tu… és uma boa alma.Uma boa alma.
- tocaste-me… - sussurrou ele.
Levou a minha mão ao coração.
– AquiParecia que tinha um caroço na minha gargantaTreinador? Não sei como dizer adeus.
Deu umas palmadinhas gentilmente na minha mão, mantendo-a junto ao coração.
- é assim … que dizemos …adeus.
Respirava suavemente para dentro e para fora, e eu podia sentir a sua caixa torácica a subir e a descer.
Depois olhou a direito para mim.
- amo….-te .
– Arrastou.
Também te amo treinador.
Os seus olhos tornaram-se pequenos, e depois chorou, o rosto a contorcer-se como o de um bebé que não sabe como funciona os canais lacrimais.
Abracei-o durante vários minutos.
Massajei a sua pele solta.
Mexi-lhe no cabelo.
Pus a palma da mão no seu rosto, senti os ossos à flor da pele e as minúsculas lágrimas molhadas, como se espremidas a conta gotas.
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