sábado, 1 de agosto de 2009

Dizemos Adeus




A última terça-feira…

dizemos adeus- não estou lá muito bem hoje.

Amanhã será melhor.

Deixou sair outra expiração e forçou um aceno.

Estava a lutar contra alguma coisa debaixo dos lençóis, e aí reparei que estava a tentar mover a mão para uma abertura.

- segura… - disse ele.

Puxei o cobertor e segurei-lhe os dedos.

Desapareceram dentro dos meus.

Inclinei-me para ele, apenas a alguns centímetros da sua cara…

Morrie, disse eu suavemente.

- Treinador – corrigiu ele.

Treinador, disse eu.

Senti um arrepio.

Ele falava por erupções curtas, inalando ar, exalando palavras.

A sua voz era fina e arranhada.

- Tu… és uma boa alma.Uma boa alma.

- tocaste-me… - sussurrou ele.

Levou a minha mão ao coração.

– AquiParecia que tinha um caroço na minha gargantaTreinador? Não sei como dizer adeus.

Deu umas palmadinhas gentilmente na minha mão, mantendo-a junto ao coração.

- é assim … que dizemos …adeus.

Respirava suavemente para dentro e para fora, e eu podia sentir a sua caixa torácica a subir e a descer.

Depois olhou a direito para mim.

- amo….-te .

– Arrastou.


Também te amo treinador.

Os seus olhos tornaram-se pequenos, e depois chorou, o rosto a contorcer-se como o de um bebé que não sabe como funciona os canais lacrimais.

Abracei-o durante vários minutos.

Massajei a sua pele solta.

Mexi-lhe no cabelo.

Pus a palma da mão no seu rosto, senti os ossos à flor da pele e as minúsculas lágrimas molhadas, como se espremidas a conta gotas.



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